SUPER EL NIÑO 2026: AS PREVISÕES ESTAVAM ERRADAS?
14/10/2026 - Meio Ambiente, Sustentabilidade e Agronegócio
Nos últimos meses, muito se falou sobre a possibilidade de o El Niño de 2026 ser um dos mais intensos da história. Entretanto, diante das chuvas menos volumosas registradas até a metade de outubro em parte do Noroeste gaúcho, algumas pessoas começaram a questionar se as previsões realmente estão se confirmando. Para compreender essa situação, é importante lembrar que a intensidade do El Niño é determinada principalmente pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pelas alterações na circulação atmosférica, com efeitos sobre o clima de diferentes regiões do planeta. Segundo a agência meteorológica norte-americana (NOAA), o fenômeno continua se intensificando, com temperaturas oceânicas até 4°C acima da média em determinadas áreas do Pacífico e elevada probabilidade de atingir intensidade histórica até dezembro. Seus efeitos, porém, não ocorrem de maneira uniforme. Enquanto algumas regiões enfrentam estiagens, outras registram chuvas excessivas. No Paraná, por exemplo, 16 municípios já ultrapassaram a média histórica de precipitação de outubro nos primeiros 12 dias do mês. Para o Rio Grande do Sul, os modelos climáticos continuam indicando chuvas acima da normalidade no trimestre outubro, novembro e dezembro, especialmente no Norte e Noroeste do Estado. Mesmo sem grandes enchentes até o momento em nossa região, os impactos sobre a produção agrícola já merecem atenção. O excesso de umidade e a baixa luminosidade comprometem lavouras de trigo, dificultam o desenvolvimento do milho e prejudicam hortaliças, frutas e verduras. Na fruticultura regional, há relatos de produção muito reduzida de pêssegos. A apicultura e a meliponicultura também são afetadas, pois períodos prolongados de chuva e pouca insolação limitam a atividade das abelhas e podem reduzir a produção de mel e a polinização. Esse cenário demonstra que os prejuízos climáticos vão muito além das enchentes. A sustentabilidade da produção regional depende cada vez mais da capacidade de acompanhar previsões, diversificar atividades e adaptar o planejamento agrícola às condições climáticas. O El Niño de 2026 ainda está em evolução, e seus efeitos poderão se intensificar nos próximos meses. Portanto, avaliar sua dimensão apenas pela quantidade de chuva registrada em nossa região até agora seria precipitado.
Fonte: Por Alexandre Hüller, in: https://www.jornalgazeta.com.br/colunas/alexandrehuller




